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As casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de recursos comerciais para os grandes clubes brasileiros. Em 2025, os 20 clubes de maior receita do país receberam cerca de R$ 1,143 bilhão em patrocínios de empresas de apostas, valor que correspondeu a uma parcela relevante das receitas de marketing das equipes, segundo levantamento da Sports Value. O estudo aponta que as receitas de marketing dos 20 clubes chegaram a aproximadamente R$ 3,2 bilhões no ano, crescimento expressivo em relação aos períodos anteriores. A dependência varia de acordo com cada clube. O São Paulo, por exemplo, aparece entre os casos em que a participação das bets nos recursos de marketing é mais elevada. Em 2025, o clube também firmou com a Superbet um contrato de longo prazo que pode alcançar R$ 1 bilhão ao longo de seis anos, condicionado a metas previstas no acordo.

O crescimento da presença das casas de apostas no futebol brasileiro ocorreu principalmente após a regulamentação das apostas de quota fixa. Em 2025, segundo levantamento publicado pelo ge, todos os clubes da Série A tinham algum vínculo de patrocínio com empresas do setor, enquanto 90% tinham uma bet como patrocinadora máster.

Possível mudança nas regras coloca contratos em alerta

O cenário ganhou uma nova dimensão nesta sexta-feira (25), após o governo federal anunciar uma medida provisória relacionada à proibição de apostas e jogos virtuais online no país. Por se tratar de uma MP, a medida passa a produzir efeitos conforme as regras constitucionais aplicáveis, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para se converter definitivamente em lei. A eventual saída das bets do mercado brasileiro pode atingir diretamente os contratos de patrocínio mantidos com clubes, além de afetar outras propriedades comerciais, como exposição de marcas em uniformes, centros de treinamento e plataformas digitais.

A própria dimensão alcançada pelo setor ajuda a explicar o tamanho do impacto potencial. De acordo com a Sports Value, as receitas de marketing dos 20 principais clubes saltaram de cerca de R$ 1,2 bilhão em 2022 para R$ 3,2 bilhões em 2025. A consultoria afirma que a forte valorização dos contratos com casas de apostas foi um dos fatores que impulsionaram esse crescimento.

FONTE/CRÉDITOS FOTÓGRAFICOS: JORNALISTA ROQUE CARVALHO PLANTAFORMA CHATGPT IA
FONTE/CRÉDITOS FOTÓGRAFICOS: SPORTS VALUE / JORNALISTA ROQUE CARVALHO PLANTAFORMA CHATGPT IA

Risco também envolve planejamento financeiro

Além da perda direta do espaço publicitário, existe uma questão financeira envolvendo clubes que já incorporaram receitas futuras de patrocínio ao planejamento orçamentário. Uma das possibilidades utilizadas no mercado é a antecipação de recebíveis: o clube apresenta a uma instituição financeira um contrato que prevê pagamentos futuros e pode obter antecipadamente parte desses recursos, mediante custos financeiros. Caso o contrato de patrocínio seja interrompido, a estrutura financeira construída com base naquela receita poderá precisar ser revista. O impacto, portanto, não necessariamente se limita ao valor que deixaria de entrar nos cofres dos clubes. Dependendo da situação de cada instituição, uma redução significativa das receitas comerciais pode exigir ajustes orçamentários, renegociação de contratos ou redução de despesas.

Substituição dos patrocinadores pode levar tempo

A eventual saída das casas de apostas também abre uma disputa por espaços comerciais no futebol. Bancos, seguradoras, empresas de cartões, alimentos, montadoras e outros setores podem ocupar parte desse mercado, mas isso dependerá do interesse das companhias e dos valores que estarão dispostas a investir. A Sports Value destaca que os patrocínios representaram mais de 88% das receitas de marketing dos clubes que disponibilizaram a abertura de seus números em 2025. Os patrocínios, de forma geral, movimentaram cerca de R$ 2,8 bilhões entre os principais clubes naquele ano. Isso significa que uma eventual substituição das bets não seria necessariamente automática nem ocorreria pelo mesmo valor. Os clubes precisariam encontrar novos anunciantes para ocupar os espaços, enquanto as empresas interessadas avaliariam audiência, exposição, retorno comercial e condições de mercado.

Mercado internacional mostra caminhos diferentes

A relação entre apostas e futebol também vem sendo revista em outros mercados. Na Inglaterra, por exemplo, a Premier League adotou uma decisão voluntária para retirar patrocínios de apostas da parte frontal das camisas a partir do fim da temporada 2025/26. O governo britânico também avançou, em 2026, com consultas sobre restrições a patrocínios de operadores de apostas sem licença. No Brasil, uma eventual mudança nas regras poderá, portanto, provocar efeitos que vão além da publicidade das bets. O impacto sobre os clubes dependerá da duração e das condições dos contratos, da forma como eventuais encerramentos forem tratados e da capacidade de cada equipe de substituir essas receitas por novos patrocinadores.

O dado central é que as casas de apostas passaram a ocupar uma fatia significativa do financiamento comercial do futebol brasileiro. Agora, qualquer mudança regulatória no setor poderá exigir dos clubes uma readequação de suas estratégias de patrocínio e de seus planejamentos financeiros.

FONTE/CRÉDITOS: G1/JORNALISTA ROQUE CARVALHO - MTB: 40.042RJ